14 - O QUE NÃO SÃO FLORES

Pois é, nada daquilo que falamos até agora podemos retirar, pois se trata da mais fiel descrição de fatos, lugares e pessoas.  Contudo, em alguns momentos desacreditamos de nossas próprias impressões. Esta manhã, depois dos nossos tantos Km de estrada nesta e em outras aventuras fomos extorquidos por policiais na estrada. Na saída de Puno, ainda na cidade, após abastecer, fomos seguidos por dois policiais em uma motocicleta que nos mandaram encostar. Pediram habilitação e seguro carta verde (que é exclusivo para Mercosul do qual o Peru não faz parte). Apresentamos e disseram que ali não constava Peru (por óbvio). Mostramos os demais documentos, inclusive extensão de perímetro realizada pela nossa seguradora para Chile, Peru e Bolívia. Também não serviu porque o nome Peru não aparecia. Existe um seguro para terceiros no Peru, não exigido pela aduana que entramos e que só se faz nas cidades maiores, mas que optamos em não fazer já que outros brasileiros que encontramos nesta viagem o tinham e de qualquer forma foram extorquidos nesta região. Mas em nenhum momento nos pediram este seguro. Insistiam em dizer que não constava Peru em nossos documentos. Parecia coisa de filme: um policial na janela do carro e o outro controlando o perímetro e instruindo o companheiro na “abordagem”. Queriam levar o carro para o depósito e que nós entrássemos em contato com nossa seguradora no Brasil, regularizasse o documento e no dia seguinte retirasse o carro. Ora, se o que de fato queriam era o seguro para o Peru, isto não se faz fora daqui. Não nos davam nenhuma forma de fazer a “regularização”. Finalmente deixaram claro o que queriam e a negociação começou em 800 Soles, para chegar ao que já tínhamos combinado entre nós e deixado separado na carteira, 50 Soles, cerca de R$ 35,00. UM ABSURDO! Em dado momento se anotou os nomes deles em um papel vermelho, que o “diretor” da abordagem viu e exigiu que fosse entregue a eles para nos liberar. Ainda bem que quem estava no banco de trás também fez as mesmas anotações, o que vai servir para os devidos encaminhamentos junto às autoridades Peruanas. Trata-se de um comportamento desprezível, que não reflete a índole dos Peruanos, assim como em nosso país, onde os corruptos não são a maioria da população. Mas é algo que os turistas, em especial os brasileiros, não podem mais tolerar. Ser extorquido por policiais é odioso. Na fronteira boliviana, a aduana nos atendeu muito bem, visivelmente por meio de um funcionário instruído e motivado. Na fase de revisão de documentos pela polícia tudo ocorreu bem, mas no final nos pediu 5 solis, em torno de R$ 3,50 (claro que não achamos se tratar de nenhuma taxa oficial). O que torcemos é que isso não seja uma regra, já que em todos esses dias tivemos encontros com policiais em vários momentos e apenas estas duas situações revoltantes ocorreram. Até em La Paz, cidade enorme, confusa, que entramos e saímos com grande destreza, a policia foi parceira. Chamou a atenção o fato de que na Bolívia o combustível para os estrangeiros não é vendido em todos os postos, e quando é, custa 3 vezes mais que para os locais. Outra coisa impressionante de compreender entre países que fazem parte de um mesmo bloco (Unasul) e almejam integração econômica. São outros fatos e novos  pontos de vista que podemos experimentar com muita contrariedade, para não dizer enraivecidos, nesta viagem. Estamos confortáveis em Oruro, cidade do carnaval boliviano, e amanhã seguimos para Uyuni, cidade portal do Salar de mesmo nome.

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