12, 13/01 - Bajo Caracoles – Esquel

Nosso destino, inicialmente, não era Esquel. Pretendíamos fazer um trecho mais curto e pernoitar em Rio Mayo.  A estrada de chão para se chegar até lá é intransitável para carros comuns. É mais indicada para tratores ou Jipes. Também esta parte da ruta 40 está em obras para pavimentação. Alguns desvios foram construídos no início delas e nunca mais receberam manutenção.  São pedras grandes, buracos, pedregulhos soltos,  veículos maiores que passam em alta velocidade sem se importar com as pedras que arremessam para as laterais.

Foram 4 horas para fazer 124 Km. Um inferno! Em Esquel fomos ver  que o pré-filtro de ar do motor havia se deslocado e atingido o radiador do carro. Parada na oficina para conserto e mais  uma despesa por conta da ruta 40. Quem sonha em fazer este trecho ainda com rípio precisa escolher carros muito altos e fortes.

Chegando em Rio Mayo encontramos uma cidade com muito menos recursos que se pensava, com todas as ruas de terra e mais terra por todos os lugares. O vento era forte e a poeira circulava abundante. Um horror!  No almoço cogitamos continuar um pouco mais e ficar em alguma cidade a frente com menos pó.

Fomos adiante e entramos  em Gobernador Costa.  E aí uma nova surpresa: a cidadezinha estava cheia de pessoas que passavam na rodovia e tentavam abastecer,  sem sucesso. Havia falta de combustível em todas as cidades da região. O que se falava era que em Esquel, a maior delas situada a 190 Km, ainda seria possível encontrar combustível, por isso todos os viajantes tentavam ir pra lá.

Nosso combustível não dava para o percurso. Nada que uns dois litros de álcool misturados na gasolina não resolvessem e até tentamos comprar nos supermercados mas só encontramos gel.

Decidimos que faríamos o carro chegar até Esquel  economizando combustível de todas as formas. E assim, levamos quase 3 horas para fazer o trecho, mantendo 80 Km por hora e aproveitando as descidas.

Chegamos na entrada da cidade depois de um total de 13 horas na estrada, com o carro na reserva e o computador de bordo indicando que ainda dava para mais 63 Km.  Um rendimento espetacular.  Enchemos o tanque e fomos descansar, para saber no dia seguinte que também em Esquel  a gasolina acabou e não havia previsão de normalidade.

Momentos difíceis, que mostraram que o trio esteve maduro pra avaliar as possibilidades e criar as soluções.  Como depois da tempestade sempre vem a bonança, o outro dia seria melhor. E, de fato, foi.